quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

A REVELAÇÃO NATURAL À LUZ DA COSMOVISÃO REFORMADA


INTRODUÇÃO


É comum encontrarmos nas grandes obras de teologia a clássica divisão entre revelação natural e revelação especial. O que dá ensejo à convicção de que há uma teologia revelada de modo natural e outra revelada de modo especial. Há três grandes pressupostos por trás de ambas as teologias: Deus existe, é pessoal e tem se revelado ao homem. Na verdade o cristianismo de uma certa forma não começa com a Bíblia e nem mesmo com a cruz. A revelação que Deus faz de si mesmo através de ambas é o que distingue o cristianismo das demais religiões. Para o cristão, contudo, é por Deus existir e ser pessoal que a idéia de uma revelação feita de si mesmo pelo Deus Criador não é em si mesma absurda.
Sendo assim somos levados a ver uma revelação da parte de Deus ao homem como algo possível e provável. Em especial se somamos a isto o pensamento de que o Criador se importa com sua criação. Como um Deus que se importa haveria de criar seres que só encontram descanso em seu Criador sem deixar sinais de quem é e como suas criaturas podem se relacionar corretamente com Ele? Como muito bem afirma A. A. Hodge:
“Sua inteligência nos leva a crer que ele completará todas as suas obras e coroará uma natureza religiosa com o Dom de uma religião praticamente adequada às suas carências. A benevolência divina nos leva a antecipar o fato de que ele não deixará suas criaturas em confusão e ruína pela carência de luz quanto à sua condição e deveres. E sua justiça ocasiona a pressuposição de que ele, em algum tempo, falará em tons definitivos e autoritativos à consciência de seus súditos”.
[1]
Disto surge a seguinte questão: como Deus tem se revelado ao homem? A resposta clássica é que Deus tem se revelado ao homem através da sua criação e da Bíblia. Deixando de lado o que teólogos liberais têm dito acerca do conceito de revelação e nos concentrando no que teólogos ortodoxos (que professam a correta doutrina) ensinam, sabemos que para estes o conhecimento que advém do estudo das Escrituras é dado como certo, seguro e absoluto. Onde não há unanimidade é quanto a espécie de benefício que o homem pode auferir da revelação natural. Que existe uma ninguém pode negar, pois para tal há ampla base bíblica. A questão é se o homem depois da queda pode obter algum benefício desta espécie de revelação. O que muitos pensam é que o coração do homem está de tal maneira afetado pelo pecado que é impossível sem as Escrituras conhecer a Deus através tão somente da sua criação.
O ponto de discussão é justamente este. Existe uma teologia natural? Pode o homem sem a Bíblia obter alguma espécie de conhecimento de Deus? Caso negativo pode-se falar em condenar alguém que jamais se submeteu a um Deus acerca de quem nada ouviu? Caso a resposta seja positiva, quais os limites desta revelação? Por que foi necessário uma revelação especial?
Qual a relevância deste tema? No meu modo de ver saber se existe uma teologia natural ou não, ou se é possível o homem extrair algum benefício dela trata-se de algo de grande importância pelos seguintes motivos:
1. A partir do momento que viermos a admitir que existe tal espécie de conhecimento de Deus, ou seja, um conhecimento natural, por isto geral, ao qual toda raça humana tem acesso, caberá a igreja a humildemente ouvir o que não cristãos tem falado sobre Deus. Numa afirmação sucinta devo dizer que a igreja deverá amar filosofia também.
2. Se tal teologia é possível, temos que reconhecer que deveríamos lidar com a natureza de modo mais reverente. Não apenas para fazer ciência com o propósito de aprimorarmo-nos tecnologicamente, mas fazer ciência com o propósito de conhecermos a Deus.
3. Sendo esta espécie de conhecimento exeqüivel, uma base para o contato evangelístico com os não cristãos é estabelecida. O trabalho do evangelista passa a ser tanto apontar para a Bíblia como para a terra, o mar e as estrelas.
4. Se o homem é um ser que têm acesso a este tipo de conhecimento de Deus, logo deve ser considerado indesculpável por não viver para a glória do seu Criador, mesmo que nunca tenha ouvido falar sobre o evangelho.
5. Por fim, partindo do pressuposto que há esta espécie de conhecimento de Deus, por que esta revelação precisou ser suplementada pela Bíblia? Até onde o homem pode ir com seu conhecimento natural de Deus?
Meu propósito neste trabalho é mostrar o ponto de vista reformado sobre a revelação natural. Isto porque além de crer que quando falo de ponto de vista reformado estou falando de ponto de vista bíblico, as ênfases teológicas da fé reformada nos permitem lidar com o tema com moderação intelectual. Esta nos ajuda a manter firme o princípio de sola scriptura sem cairmos no erro obscurantista e no ceticismo para com uma forma de conhecimento que pode enriquecer a vida da igreja como também levá-la a testemunhar de forma mais clara do evangelho.

O LOCUS CLASSICUS BÍBLICO DA REVELAÇÃO NATURAL PARA A TEOLOGIA REFORMADA


Não estaríamos discutindo este assunto se a Bíblia, que é a autoridade final para a fé reformada, nada falasse sobre o homem conhecendo a Deus de modo natural. Os principais tratados teológicos reformados apontam para certos textos que de modo inequívoco falam de uma forma de conhecimento teológico que o homem hoje pode obter sem a Bíblia.
Partindo do século XVI com João Calvino percebemos que o grande reformador francês defendia a universalidade do sentimento religioso. Este, para Calvino, tem sua base na própria constituição humana:
Que existe na mente humana, e, na verdade, por natural disposição, certo senso da divindade, damos como além de controvérsia. Ora, para que ninguém se refugiasse no pretexto de ignorância, Deus mesmo infundiu em todos certa noção de sua divina realidade.
[2]
Este é o motivo que ele encontra para a justificação do fenômeno universal reconhecido pelo pensador romano Cícero: “... nação nenhuma há tão bárbara, povo nenhum tão selvagem, em que não esteja profundamente arraigada esta convicção: Deus existe!”[3]
Tudo isto o leva à conclusão seguinte: “Isto, sem dúvida será sempre evidente aos que julgam com acerto: estar gravado na mente humana um senso da divindade que se não pode obliterar nunca”.[4]
Agora veja a que tudo isto leva. Dentro de si o homem encontra este testemunho poderoso que pode ser reprimido, mas destruído nunca. Porém, do lado de fora o universo e sua forma, conforme costumava dizer Francis Schaeffer. O que Calvino vai mostrar é que há uma correspondência. Do lado de dentro o senso da divindade e do lado de fora um universo que proclama a beleza do Criador:
Ademais, por isso que no conhecimento de Deus está posto o fim último da vida bem-aventurada, para que a nin guém fosse cerrado o acesso à felicidade, não só implantou Deus na mente humana essa semente de religião a que nos temos referido, mas ainda de tal modo Se há revelado em toda obra de criação do mundo, e cada dia meridianamente se manifesta, que não podem eles abrir os olhos sem serem forçados a contemplá-lO.
[5]
Assim Calvino faz a imortal declaração: “...quantas vezes volvemos os olhos para onde quer que seja, a glória se lhe estadeia”.[6]
Podemos observar com clareza que Cavino se baseia em passagens tais como o Salmo 104: “Daí, com muita razão exclama o profeta que Ele se veste de luz comode um manto, como se a dizer que a partir de então havia começado insigne a mostrar-se em visível ornato”.[7] , Hebreus 11:3:
“Essa a razão porque, com finura e arte, o autor da Epístola aos Hebreus chama aos mundos de expressões visíveis das cousas invisíveis, já que essa ordem tão admiravelmente estruturada do universo nos serve de espelho em que se possa contemplar ao Deus de outra sorte invisível”.
[8]
Salmo 19:1: “Razão pela qual o Profeta atribui às criaturas celestiais uma linguagem a nações nenhumas desconhecida”[9] , e Romanos 1:19:
“O Apóstolo, expondo isto mais explicitamente, diz haver sido revelado aos homens o que de mister lhes era conhecer acerca de Deus, visto que todos à uma Lhe contemplam as cousas invisíveis, até Seu eterno poder e divindade, dadas a conhecer desde a criação do mundo”.
[10]
Rumando agora para o século XVII vemos igual ênfase na magnum opus do grande teólogo reformado italiano Francis Turrentin: Institutio Theologiae Elencticae. Certamente o maior teólogo do chamado período do escolasticismo protestante. Uma era gloriosa da teologia reformada.
Para termos uma idéia de como Turrentin via a revelação natural basta constatarmos o quanto condenou os Socianos que negavam a existência de qualquer teologia ou conhecimento natural de Deus: “O ortodoxo, de modo contrário, uniformemente ensina que há uma teologia natural, parcialmente inata (derivada do livro da consciência por meio de noções comuns) e parcialmente adquirida (sacada do livro das criaturas discursivamente)”.
[11]
Suas bases bíblicas são idênticas as de Calvino. Ele trabalha em cima do Salmo 19:1; Atos 14:15-17, 17:23 e Romanos 1:19-20. Sobre estas passagens Turrentin afirma: “Deus tem dado ao homem tanto um conhecimento inato como um conhecimento adquirido de si mesmo nas seguintes passagens...”[12]
Seguindo a tradição reformada vemos no século XVIII seu maior teólogo, o americano Jonathan Edwards defendendo a revelação natural também. John Gerstner mostra como que Edwards a partir da aplicação da razão a ordem criada proclamava que a existência de Deus pode ser demonstrada: “Nada é mais certo de que tem que haver um ser não criado e ilimitado... tem que haver um ser eterno porque o ‘nada’ é impensável”.[13] Num sermão sobre Romanos 1:20 Edwards afirma que uma folha de grama é uma irresistível evidência de Deus.[14] Edwards usava largamente a apologética clássica com suas demonstrações racionais da existência de Deus:
“Nós primeiro ascendemos, e provamos a posteriori, ou dos efeitos, que tem que haver uma eterna causa; e depois em segundo lugar, provamos por argumentação, não intuição, que este ser tem que ser necessariamente existente; e depois em terceiro lugar, da necessidade provada da sua existência, nós podemos descer, e provar muitas das suas perfeições a priori”.
[15]
Quer neste tempos chamados de pós-modernos gostemos ou não da afirmação supra é indiscutível que uma simples análise de Romanos 1 mostra que Edwards seguia a linha de raciocínio do Apóstolo Paulo. Contemplando a criação não apenas nos certificamos da existência de Deus como também conhecemos muitos dos seus atributos.
No século IXX Charles Hodge professor do seminário de Princeton segue a mesmíssima abordagem sobre a revelação natural dos seus antecessores:
“Que o universo material começou a existir; que ele não tem em si mesmo a causa da sua existência, e portanto deve ter tido uma causa extracosmo; e que as manifestações infinitamente numerosas do desígnio que ele exibe demonstram que essa causa deve ser inteligente, são argumentos em prol da existência de Deus, os quais têm satisfeito a mente de grandes corporações de homens inteligentes em todas as épocas do mundo”.
[16]
Com base no Salmo 94:8-10 afirma: “Os escritores sacros, ao contenderem com os pagãos, apelam para a evidência que as obras de Deus ostentam suas perfeições”. E como não podia deixar de ser, para Hodge Romanos 1 prova não só o fato desta revelação chamada de natural, mas sua clareza também.[17]
No século XX teólogos reformados como R. C. Sproul, Arthur Lindsley e John Gestner na excelente obra sobre apologética Classical Apologetics asseveram:
“O pagão pode se ignorante de Moisés e Jesus, mas ele conhece em seu coração e entende (embora relutantemente o admita) que Deus existe. Nas suas formas variantes, o paganismo representa a tentativa do homem de fugir do Deus revelado na criação. Com respeito a questão da existência de Deus, o problema do paganismo não é em última instância filosófico, mas moral. O problema do pagão não é que ele não saiba quem Deus é, mas que ele não gosta do que Deus é”.
[18]
Os três teólogos trabalham amplamente em cima do texto de Romanos, vindo assim a dizer: “Aqui o apóstolo assevera que o conhecimento de Deus não está encoberto em obscuridade, detectável apenas por uma elite gnóstica ou por mestres habilidosos de mistérios esotéricos”.[19]
Poderíamos facilmente para cada etapa do desenvolvimento da teologia reformada citar tantos outros teólogos que advogavam idêntica posíção. Basta, porém, conhecer-se um mínimo de filosofia para se saber que esta não é a opinião de muitos filósofos. Vários, como Kant, afirmam que não há como se provar racionalmente a existência de Deus. Que a criação não comunica nada. Só nos deixa diante de antinomias, ou seja, contradições intelectuais invencíveis. Por que a teologia reformada desde o seu nascedouro e através de seus maiores expoentes tem defendido a revelação natural? Certamente ela defende e continuará a defender, apesar de todo ceticismo moderno, porque a teologia reformada é bíblica. Ela se preocupa mais com Paulo do que com Kant. E como acabamos de ver, a Bíblia com grande clareza afirma que Deus tem se comunicado ao homem de modo natural. Milhares na vida não tem o testemunho do Filho, mas todos têm o testemunho do Pai. Não cabe a igreja, sendo assim, querer estar na moda do atual ambiente intelectual e negar o que é claro nas Escrituras Sagradas. O que a igreja precisa é ter ousadia para dizer que “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos”, como também para defender de modo racional o que a Bíblia declara de forma inegável.
Penso que outro pressuposto reformado que tem sido determinante para a defesa da revelação natural é a doutrina da graça comum. A teologia reformada fala de duas espécies de manifestações do favor divino. Uma especial e outra comum. A especial que diz respeito apenas a vida dos eleitos e que tem efeitos salvíficos. A comum que diz respeito a vida dos homens como um todo, mas que não exerce efeito redentivo algum. Ora, é fato que nenhuma outra teologia tem sabido tanto despojar os egípcios como a reformada. Como muito bem atesta o teólogo reformado Abraham Kuyper, ao falar sobre algo que pode ser aplicado à vida como um todo e que expressa modo de pensar calvinista:
“Mas se , à luz da experiência e da história, vocês estão persuadidos de que os mais altos instintos artísticos são dons naturais e por isso pertencem àquelas excelentes graças que, a despeito do pecado, em virtude da graça comum continuam a brilhar na natureza humana, segue-se claramente que a arte pode inspirar tanto crentes como incrédulos, e que Deus continua Soberano ao conferi-la igualmente a nações pagãs e a cristãs, a seu bel-prazer”.
[20]
Embora a teologia reformada não veja esperança de o homem conhecer salvadoramente a Deus sem que a graça especial deste o revele a aquele, é muito esperançosa quanto a possibilidade do homem conhecer inúmeras verdades referentes a vida como um todo pela ação da graça comum. A teologia reformada vai em busca da verdade onde quer que esta se manifeste, pois crê que ela pode sair tanto da boca de um santo quanto da boca de um profano.
Uma aplicação ampla e imparcial das doutrinas reformadas ao problema do conhecimento natural da pessoa de Deus nos ajuda a resolver certos problemas. E isto que vamos ver agora. Como explicar o entendimento que muitos pagãos vieram a obter acerca de Deus? Este sem sombra de dúvida é um problema. Mas, uma outra questão é o extremo oposto desta. Sendo o testemunho de Deus tão claro assim por que somente um em cem sabe tirar algum proveito dele? Por que milhares professam o ateísmo? Por que foi necessária uma revelação especial?

A FÉ REFORMADA E A INSUFICIÊNCIA DA REVELAÇÃO NATURAL DE DEUS


Aparentemente uma grande contradição é encontrada na teologia reformada. Por um lado a teologia reformada defende a revelação natural, mas por outro lado defende a especial. Por uma lado ela afirma que o universo revela a glória de Deus, porém por outro lado afirma que o pecado afeta de tal modo o homem que este quase não aufere benefício algum desta comunicação de Deus ao homem. Ao mesmo tempo que cita autores não cristãos defende o princípio de sola scriptura.
É fato fora de controvérsia que para a teologia reformada a relação de Adão com a revelação natural foi completamente diferente da que sua descedência veio a ter após a queda. Este é o nó que temos de desfazer. É isto que está quadrado na teologia de certos teólogos que precisa de ser arredondado. O que Adão via que hoje nossa raça não consegue ver? O que era a filosofia para o homem antes da queda e o que é a filosofia para o homem hoje? Calvino diz que o senso da divindade não pode ser obliterado nunca, conforme vimos acima, mas por que o próprio afirma que o homem carece dos óculos da revelação especial?
[21]
Não podemos negar dois fatos quanto a teologia reformada. Ela tanto atesta a realidade da revelação natural quanto a da reveleção especial. E em conecção com isto podemos dizer que em relação a primeira a segunda a suplementa, a torna mais clara, responde perguntas que aquela não responde e comunica o que para outra é impossível de comunicar. Isto nos leva a afirmação que a revelação natural é insuficiente.

A Revelação Natural é Insuficiente porque o Homem Encontra-se sob os Efeitos Noéticos do Pecado.
Já vimos que para a teologia reformada a Bíblia ensina com clareza que existe um conhecimento natural de Deus. Mas, a começar pelo próprio Calvino a teologia reformada reconhece que o homem não tem sabido auferir benefícios maiores da revelação natural: “Quanto, porém, ao que sentencia Davi (Sl 14:1; 53:1): no coração sentirem os ímpios e insanos que não há Deus, restringe-se, em primeira plana, como o veremos, de novo, pouco mais adiante, àqueles que, sufocada a luz da natureza, deliberadamente, a si mesmos se estupidificam. Assim é que vemos a muitos que, após se tornarem obdurados pela insolência e constância de pecar, repelem furiosamente a toda lembrança de Deus, lembrança que, no entanto, lhes é espontâneamente sugerida no íntimo pelo próprio senso natural”.
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A revelação natural não tem produzido adoradores. Quem tão somente entregue a ela tem adorado a Deus com todo o seu ser? Por algum motivo o homem tem se demonstrado incapaz de contemplar a beleza do Criador através da beleza da ordem criada. O homem é um ser que tem se mostrado mais encantado com a criação do que com o Criador. Isto vemos por todos os lados, em especial nas canções que não cristãos fazem que quase nunca mencionam a Deus. Embora muitos a partir da complexidade e esplendor da vida afirmem com aparente convicção que Deus existe, parece que o que vieram a dele conhecer é pouco para amá-lo. O homem pode até dizer: Deus existe! Mas, o que não pode é dizer: “O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes; eu, os teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!” (Sl 84:3). Devo reconhecer que Karl Barth faz uma análise perscrutadora da forma leviana como o homem se relaciona com o deus que idealiza:
“Os ídolos ideados e manipulados pelo homem, obscurecem e toldam a visão dos que os servem com tão densas trevas a ponto de fazerem desaparacer de vista a exuberante luz que brilha, não ao lado, nem acima, nem mais fulgurante, mas única, absoluta, incomparável, a santa luz de Deus. Todavia, agimos nesciamente. Fazemos de Deus a nossa luz, não exclusivamente por amarmos essa luz, mas na ânsia de que essa luz, ou luz igual, brilhe em nós, e brilhe não para que também por essa obra os homens louvem a Deus, mas para que sejamos gloriados nela; fazemos Deus o nosso protetor e guia não porque, genuinamente, queiramos honrá-lo, mas porque desejamos ser guiados e protegidos para nosso benefício; ousamos dirigir a ele as nossas súplicas que, na melhor das hipóteses, são bem intencionadas quando não são fúteis, vãs, irrelevantes, egoístas; acercamo-nos do trono da graça, não para adorar mas para suplicar: suplicar pela recompensa, perlo bem estar, pelo privilégio, por ‘tudo isto e o céu também’, enquanto de passagem, como por desobrigação, balbuciamos umas poucas palavras de gratidão”.
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A revelação natural não tem produzido santos. É bem verdade que o conhecimento natural de Deus tem refreado a ânsia pelo pecado na vida de muitos. Sabemos que este conhecimento tem servido de fonte de relativo consolo a muitos em que nas horas que a vida se configura como absurda são levados a crer que tem que haver alguém que esteja acima do absurdo. Mas, quantos dentre estes podem dizer: “Induzo o coração a guardar os teus decretos, para sempre, até ao fim. Aborreço a duplicidade, porém amo a tua lei”! (Sl 119:112-113). Procuro dentre os não crentes um só que possa dizer: “Em paz em deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só Tu me fazes repousar seguro” (Sl 4:8).
A revelação natural não tem impedido a idolatria. Quem entregue a revelação natural veio a adquirir um conceito de Deus que se aproxime daquele que recebemos em sua Palavra? O próprio Senhor Jesus reconhece que o gentio é capaz de conceber um Deus que leva as pessoas a julgar que pelo seu muito falar serão ouvidas (Mt 6: 7). Isto levou-me certa vez a fazer o seguinte comentário:
“O gentio só dispõe da luz da revelação natural para conhecer a Deus. Só que há dois problemas em sua vida. O primeiro, é que o gentio não sabe usar este conhecimento, porque, pelo fato de seu coração estar vendido para o pecado, ele o perverte, gerando projeções humanas, deuses criados à sua própria imagem e semelhança (muitas vezes até inferiores), porque seu propósito é fugir do Deus real... O homem reprime o senso inato de Deus que há no seu coração, mas é incapaz de destruí-lo totalmente. Sendo assim, tal como nos nossos sonhos, em que a verdade do inconsciente vem à tona, nas religiões parte da verdade maior, que o mundo tem criador, emerge também, só que de modo fantasmagórico, já que tudo isto está amalgamado à culpa, que é o segundo problema do gentio, que a raça humana carrega e que tenta, de alguma forma, dela se desfazer. Agora, você pode compreender o porquê de os gentios julgarem que, pelo seu muito falar, serão ouvidos!”
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A teologia reformada reconhece que a revelação que Deus faz de si mesmo ao homem através da sua criação é perfeita, porém não é ingênua a ponto de desconhecer os efeitos noéticos do pecado que levam o homem a transformar o bem em mal. O que são os efeitos noéticos do pecado?
Os efeitos noéticos do pecado são as influências exercidas pelo coração na mente do homem que o levam a inconscientemente perverter seus julgamentos racionais com referência a Deus. A teologia reformada não é cética quanto ao aparelho mental do homem em si. Ela não se assombra quando vê o homem usando sua mente para fazer ciência por exemplo. Ela é cética quanto a possiblidade da mente humana agir com absoluta neutralidade quando se propõe a pensar em Deus. Isto por acreditar que o coração do homem está vendido para o pecado. Para onde o pecado conduziu o coração da nossa raça? Primeiro, o homem é amigo de Satanás. Mesmo os que não reconhecem a existência deste ser crêem nas idéias do Diabo. Segundo, o homem é amante de si mesmo. Um ser fascinado com sua cultura, suas invenções, força, capacidade intelectual e assim por diante. O homem é alguém que anseia por viver autonomamente. Abomina a idéia de lei. Sente o horror de ter que viver para a glória de um outro. Em terceiro lugar, o Deus que o homem veio a conhecer não o agrada. Enquanto um homem como Freud por exemplo, afirma que a fé em Deus é fruto do nosso anseio de ter um Pai protetor já que vivemos num mundo amendrontador. Ou Feuerbach, que diza que teologia é antropologia e religião é o sonho da mente humana. A fé cristã declara que ocorre justamente o contrário. O homem tem fugido do Deus real. Ele prefere o vácuo do ateísmo ou adorar uma caricatura de Deus a ter que encarar o Deus verdadeiro.
R.C. Sproul diz o seguinte: “O problema não é que haja insuficiente evidência para convencer seres racionais que há um Deus, mas que seres racionais tem uma natural hostilidade para com o ser de Deus”.
[25] Assim, R.C. Sproul se utiliza de J.H. Bavinck que faz uma ponte entre o conceito freudiano de repressão e o que ocorre nos recônditos da alma quando o homem se aproxima de Deus:
“Parece para mim que neste caso nos deveríamo traduzir por repremir (Bavinck está fazendo um comentário sobre o uso da palavra ‘deter’ em Romanos 1:18). Nós escolhemos uma palavra que um significado especial na literatura psicológica. Webster’s Ninth New Collegiate Dictionary define a palavra repressão como ‘um processo pelo qual desejos inaceitáveis ou impulsos são excluídos da consciência e deixados para operar no inconsciente’. Isto parece concordar com o que Paulo fala aqui sobre a vida humana. Mas nos temos que mencionar que a palavra repressão recebeu um significado mais amplo na psicologia recente. Na psicologia freudiana ela se refere especificamente para desejos inconscientes de natureza mais ou menos sexual. Numa mais recente psicologia ele é também aplicado para desejos e impulsos de uma natureza diferente. Os impulsos ou desejos que são reprimidos podem se muito valiosos. Qualquer coisa que vá de encontro à padrões aceitados da vida ou idéias populares predominantes podem ser reprimidas. Costumeiramente isto acontece, e os resultados podem ter uma alcance muito mais amplo. Nos somos lembrados deste fenômeno psicológico recentemente descoberto pelo uso da palavra por parte de Paulo. Ele diz que os homens sempre naturalmente reprimem a verdade de Deus porque esta é contrária ao seu padrão de vida”.
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É de fato uma ponte valiosa esta que foi feita entre o conceito de repressão da psicanálise e a teologia. A rejeição que o homem faz de Deus é irracional como irracional é muito do comportamento humano. E a revelação natural neste contexto acaba representando para o homem o contato com um verdade que o apavora e consequentemente precisa ser reprimida. A teologia reformada reconhece também uma outra limitação da revelação natural. Ela não é suficiente para o homem em pecado.

A Revelação Natural é Insuficiente porque não foi Designada para falar o que o Homem depois da Queda passou a Necessitar de Ouvir
A revelação natural tem sua origem no anterior contexto da queda. No mundo idílico em que nossos pais viviam não havia esse mundo marcado pela presença do mal com todas as suas manifestações. O problema do mal, conforme costumamos chamar em apologética ainda não existia. Ninguém pensava em Deus a partir de visão do corpo de um filho num caixão. Não se filosofava num contexto de fome e miséria. Deus não se revelava direta ou indiretamente como irado. Assim, estabeleceu-se a necessidade de uma revelação especial vir em socorro de uma raça que passou a lidar com problemas para os quais o conhecimento de que dispunha ou até mesmo poderia vir a alcançar não seria suficiente.
A filosofia tem limitações insuperáveis porque lida com um universo anormal como se este fosse normal. Ela não dispõe do aparato da teologia. Ela não pode dividir a história como a teologia o faz: criação, queda, redenção e consumação. Sem estas referências históricas o mundo torna-se caótico aos olhos de quem o vê.
A revelação natural não foi designada para falar de redenção. O homem vive num mundo que dele exige resposta para duas questões cruciais. A primeira, é a que se relaciona a realidade do sofrimento humano. A segunda, é a que tem haver com a realidade do pecado. Como ficar livre do mal e do pecado? Como restaurar a relação com um Deus que tem se revelado como irado? É interessante observar que a medida que a igreja deixou de falar sobre a ira de Deus, com medo de deixar seus bancos vazios, remeteu os homens a problemas intelectuais muito mais sérios do que os que queria evitar. Há sinais por todos os lado do descontentamento divino. Um Deus só de amor não nos ajuda a entender este mundo de dor que nos cerca. Isto faz com que o problema permaneça: como restaurar a relação com o Deus a quem ofendemos e que tem expressado sua ira?
Os teólogos reformados tem defendido tanto a certeza da revelação especial quanto sua necessidade. Numa imortal declaração Calvino afirma:
“Exatamente como se dá compessoas idosas, ou enferma dos olhos, e quantos quer que sofram de visão embaçada, se puseres diante deles até mui vistoso volume, ainda que reconheçam ser algo escrito, mal poderão, contudo, ajuntar duas palavras; ajudadas, porém, pela interposição de lentes, começarão a ler de forma distinta. Assim, a Escritura, coletando-nos na mente conhecimento de Deus de outra forma confuso, dissipada a escuridão, mostra-nos em diáfana clareza o Deus verdadeiro”.
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Bavinck vê o uso da revelação especial da mesma forma:
“A revelação especial de Deus é necessária também para um correto entendimento de sua revelação geral na natureza e na história, no coração e na consciência. Nós precisamos dela para purgar o conteúdo da revelação geral de todo tipo de erro humano e assim dar à revelação geral o seu justo valor”.
[28]
O grande Abraham Kuyper de forma tocante declara:
“Quando não há nevoeiro para esconder a majestade da luz divina de nossos olhos, que necessidade há então de uma lâmpada para os pés, ou de uma luz para o caminho? Mas quando a História, a experiência e a consciência, todas declarando unidas o fato de que a luz pura e plena dos céus tem desaparecido, e que estamos andando às cegas nas trevas, então, uma diferente, ou se vocês preferirem, uma luz artificial deve ser acesa para nós, e esta luz Deus acendeu para nós em sua Santa Palavra”.
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Alister E. McGrath reconhece que dois temas emergem claramente das confissões gálica (1559) e belga (1551) que podem ser sumariados da seguinte forma: “Existem dois modos de conecimento de Deus, um através da ordem natural, e o segundo através da Escritura. O segundo modo é mais claro e mais pleno do que o primeiro”.[30]
Talvez não haja melhor forma de concluir este pequeno apanhadado sobre o valor da revelação especial para a fé reformada do que citando a Confissão de Fé de Westminster. Esta apresenta de forma sucinta a relação entre conhecimento natural de Deus e conhecimento sobrenatural. E o faz de uma forma tal que penso que a posição reformada é perfeitamente apresentada. Note como ambas as revelações são defendidas e como a necessidade e valor singular da revelação especial são afirmados:
“Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência manifestam de tal modo a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, todavia não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e de sua vontade, necessário à salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido escrever toda. Isto torna a Escritura Sagrada indispensável, tendo cessado aqueles antigos modos de Deus revelar a sua vontade ao seu povo”.
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A Revelação Natural é tão Insuficiente quanto a Revelação Especial
Muitos teólogos reformados por causa do pressuposto da queda tornam-se tão céticos quanto a teologia natural que esquecem-se que o não regenerado pode pensar de modo surpreendentemente bom com relação a Deus. Esquecem-se que o problema do homem não é tanto ser lógico com relação a Deus, mas amar o que sabe ser verdadeiro. Não acredito que a realidade do pecado tenha que necessariamente levar o ser humano a pensar de modo errado sempre e em tudo, mesmo com referência às verdades teológicas. Pode ser que sim pode ser que não. Isto depende do nível de depravação, já que sabemos que a doutrina da depravação total, ou incapacidade total do homem por si mesmo voltar-se para Deus ensina duas verdades: a primeira que o homem é suficientemente mau a ponto de sozinho não conseguir voltar para Deus em arrependimento e fé. A segunda verdade é que o homem não é tão mau quanto poderia ser. E sendo assim, existem níveis diferentes de depravação. Na vida de uns o pecado manifesta-se num completo curto-circuito na forma de pensar sobre Deus e a vida. Estes descambam para o ateísmo, o agnosticismo ou criam um ídolo para si. Mas, o pecado pode manifestar-se de outra forma. Nesta o raciocínio é bom, a teologia é saudável, a mente funciona bem. Porém, o coração funciona mal e justamente por isso não se delicia com o que crê com a mente. Nem todo teólogo calvinista é convertido!
Não acredito que a Bíblia ensine que o não cristão tem que sempre raciocinar à partir de pressupostos não escriturísticos. Uma pessoa pode ser ortodoxa e morta. O que é claro na Palavra de Deus é que o não crente embora possa ter mente para pensar, nunca tem coração para amar.
A que tudo isto nos leva? Que na verdade temos que falar de três revelações: uma geral, outra especial e uma terceira que nos permite receber e amar as primeiras. Os que desprezam a filosofia por causa da queda deveriam ser consistentes e desprezarem a teologia também. Ora, o que me leva a crer que o homem pode ler tanto o livro da revelação natural quanto o livro da revelação especial é a obra de iluminação do Espírito. E esta obra pode ser especial e não. Pode ser salvífica, ou motivo para aumentar o juízo sobre a vida do pecador. John Gerstner tem uma acusação a fazer contra certos teólogos calvinistas:
“Mesmo a revelação especial poderia não iluminar a mente sem primeiro mudar o coração do pecador. Há uma falha comum entre os calvinistas, incluindo o próprio Calvino, em fazer contraste aqui entre revelação natural e especial em vez de entre natural e especial-iluminada revelação. O problema do homem natural não é a falta de luz, mas a natural inabilidade para admitir o que ele não pode deixar de ver . Ele vê o suficiente para saber que o que ele vê não gosta”.
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CONCLUSÃO

Quais as conseqüencias para nossa vida com um todo da doutrina da revelação natural segundo a tradição reformada?
1. Não rejeitar in totum o que a filosofia tem dito. Atenas pode ter alguma coisa haver com Jerusalém, contrariando Tertuliano. Sabemos que o que houve em Jerusalém dentro daquele cenáculo, não ocorreu no Partenon de Atenas. As línguas de fogo não vieram sobre Sócrates, Platão e Aristóteles, mas sobre Pedro, Tiago e João. Porém, como negar que a igreja no decorrer dos séculos em tantas ocasiões não se viu ajudada pelo instrumental filosófico grego? A diferença é que para a igreja o Logos se fez carne. Creio que o que a Bíblia ensina sobre revelação natural e graça comum é suficiente para que a igreja despoje os egípcios.


2. Amar o “irmão sol e a irmã lua” e parar para ouvir o que eles têm a dizer. Céus e terra estão cheios da glória de Deus e crentes que não servem a um “deus de estufa”, que só habita em templos haverão de ler o livro da revelação natural de Deus.

3. Realizar o trabalho de obstetra espiritual. Parte da verdade que queremos comunicar ao homem já se encontra dentro dele. A igreja cabe com habilidade trazer esta verdade para fora. Conforme vimos acima, “está gravado na mente humana um senso da divindade que não pode ser obliterado nunca”. Realizar esta obra não é evangelização, mas é importante pré-evangelização.

4. Proclamar ao mundo que ninguém tem desculpa. Todos têm o testemunho do Pai.

5. Anunciar ao mundo a beleza do evangelho. Embora o Deus da revelação geral seja o mesmo Deus da revelação especial e as verdades a que chegamos através do conhecimento natural de Deus não entrem em contradição com o conhecimento especial, o Deus da Bíblia é de beleza insuperável. Uma coisa é conhecer a Deus através da sua criação, outra coisa é vê-lo através do seu Filho cravado na cruz.

6. A verdadeira revelação de Deus ao homem ocorre quando olhamos para a revelação natural e especial de Deus e nos deliciamos com o que vemos, vindo assim a fixar nossos afetos no Criador que amou de tal maneira seu povo que por Ele deu seu Único Filho.

BIBLIOGRAFIA

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CITAÇÕES

[1] Hodge A.A.Confissão de Fé Westminster Comentada. Editora Os Puritanos, 1999, p. 54.
[2] Calvino, João. As Institutas.1a ed., São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1985, p. 59.
[3] ibid
[4] ibid
[5] ibid
[6] ibid
[7] ibid
[8] ibid
[9] ibid
[10] ibid
[11] Turrentin, Francis. Institutes of Elenctic Theology. Phillispsburg, New Jersey: P&R Publishing, 1992, p. 6
[12] ibid
[13] Gerstner, John. The Rational Biblical Theology of Jonathan Edwards. Powhatan, Virginia: Berea Publications, 1991, p. 80-81.
[14] ibid
[15] ibid
[16] Hodge, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo: Editora Hagnos, 2001, p. 17-18.
[17] ibid
[18] Sproul, R.C.; Gerstner, John; Lindsley, Arthur. Classical Apologetics. Grand Rapids, Michigan: Zondervan Publishing House, 1984, p. 39.
[19] ibid
[20] Kuyper, Abraham. Calvinismo. São Paulo. Editora Cultura Cristã. 2002, p. 168
[21] Calvino, João. As Institutas.1a ed., São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1985, p. 84.
[22] ibid
[23] Barth, Karl. Carta aos Romanos. São Paulo. Editora Novo Século. 2003, p. 58-59
[24] Costa, Antônio Carlos. Pai: o Deus Cristão. Rio de Janeiro. Editora Pontal do Atalaia.2001. p. 236-237
[25] Sproul, R.C. If There’s a God, why are there Atheists? Wheaton, Illinois.Tyndale House Publishers,1996, p. 57.
[26] ibid
[27] Calvino, João. As Institutas.1a ed., São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1985, p. 84.
[28] Bavinck, Hermann. Teologia Sistemática. Santa Bárbara d’Oeste. São Paulo. Socep, 2001, p. 66.
[29] Kuyper, Abraham. Calvinismo. São Paulo. Editora Cultura Cristã. 2002, p. 66
[30] McGrath, Alister E. Christian Theology. Malden. MA. USA. Blackwell Publishers, 2001, p. 212.
[31] A Confissão de Fé de Westminster. Editora Cultura Cristã. 1994, p. 3.
[32] Gerstner, John. The Rational Biblical Theology of Jonathan Edwards. Powhatan, Virginia: Berea Publications, 1991, p. 84.

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