quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

A IGREJA E O PROGRESSO DO EVANGELHO


FILIPENSES 1: 12-18

INTRODUÇÃO
Um traço marcante da vida do apóstolo Paulo é o seu compromisso com o evangelho. Ao falar, por exemplo, para os presbíteros da igreja de Éfeso ele expressa este apego às boas novas de Cristo de um modo comovente: “Porém, em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus”.
[1]
Esta passagem da carta aos filipenses está entre as que mais no ajudam a ter uma idéia da sua decisão de obrigar-se a viver para o evangelho. Aqui ele encontra-se preso. Vivendo uma das experiências mais amargas que um ser humano pode viver, contudo, sem expressar amargura pelo fato da providência divina haver permitido que ele parasse num cárcere. Pelo contrário, Paulo via a providência divina o colocando em circunstância difícil a fim de que o evangelho fosse divulgado. Esta é a sua convicção: estou passando por esta tribulação porque aprouve a Deus na sua soberania que o evangelho fosse pregado entre os romanos desta forma.
O que chama a atenção do leitor atento desta passagem é o fato da causa supra mencionada do seu encarceramento ser suficiente para que ele obtivesse grande consolação. Sua alegria consistia no seguinte fato: “... as coisas que me aconteceram têm antes contribuído para o progresso do evangelho”. Para o apóstolo Paulo pouco importava o curso de vida que a providência determinasse para ele desde que o evangelho fosse divulgado através de seu ministério.
O que o levava a não se preocupar com a própria sorte? Qual a razão deste apego ao evangelho? Que preço estava disposto a pagar a fim de que o evangelho fosse proclamado?
As respostas para estas perguntas são fundamentais caso queiramos expressar o mesmo nível de amor pelo evangelho que o apóstolo Paulo expressou. Sendo assim, vale a pena perguntarmos: o que o há na mensagem do evangelho que o fazia esquecer-se de sua própria vida e tivesse como maior objetivo de sua existência o progresso do evangelho? Aliás, talvez fosse melhor, de uma certa forma, reformular a pergunta: por que a espécie de vida que ele amava era uma vida de renúncia a todas as coisas, com o propósito de se fazer uma dedicação integral da própria existência a divulgação de uma mensagem?
Nós só entenderemos o coração do apóstolo Paulo quando levarmos em consideração o fato de que para ele o conteúdo da mensagem do evangelho era por demais sublime. Sendo assim, fazia todo o sentido ele não se importar com o curso de vida que a providência determinasse para ele desde que a mensagem gloriosa do evangelho fosse proclamada. Em que consiste a sublimidade deste conteúdo?

I-A SUBLIMIDADE DO CONTEÚDO DO EVANGELHO COM O QUAL DEVEMOS ESTAR COMPROMETIDOS.

1. O EVANGELHO É SUBLIME POR SE TRATAR DAS BOAS NOVAS DE DEUS PARA A HUMANIDADE. V. 12.


Se de fato queremos entender a disposição do apóstolo Paulo de dar sua vida por uma mensagem precisamos partir da análise do significado da própria palavra evangelho. A palavra grega significa boas novas. Seu significado pode ser comparado a notícia trazida por um mensageiro recém chegado do campo de batalha que anuncia aos que ficaram na cidade que a batalha foi vencida.
Trata-se de uma notícia tão maravilhosa que os que a receberam devem envidar todo esforço possível para que jamais seu conteúdo fique aprisionado. Por isso, o apóstolo Paulo via sentido no seu aprisionamento. Ele entendia que se o cerceamento de sua liberdade representava liberdade para o evangelho seu sofrimento estava cumprindo um propósito glorioso.
Qual a essência dessa boa notícia? Talvez não encontremos melhor definição dela do que a que foi apresentada pelo próprio apóstolo Paulo na carta segunda carta aos coríntios capítulo cinco versículo dezenove: “... Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação”.
[2]
Isto é o evangelho. Não se trata de dizer ao mundo como este deve se organizar politicamente. Seu objetivo supremo não é divulgar o melhor tratamento para nossos problemas psicológicos. Não visa dizer ao homem o que ele pode fazer para prosperar nesta vida. Iria até mais longe. Não é dizer que o mundo tem um Criador. Que a realidade última é pessoal. Não significa bradar: a verdade existe e pode ser conhecida pelo homem. O evangelho tem como corolário tudo o que acabei de mencionar, mas sua mensagem central é a gloriosa notícia que Deus no seu infinito amor chama a humanidade para se arrepender dos seus pecados e crer na oferta graciosa de salvação que é oferecida por meio de Cristo.
O que o evangelho proclama é a existência de um Deus santo. Um ser que não tolera o pecado pelo simples fato do pecado não fazer parte de sua própria existência. Ele é amor! As três pessoas da Trindade bendita vivem um relacionamento de santidade e amor. Por isto, esse Deus tem julgado a terra e avisado das mais diversas formas aos seres humanos que um dia haverá de julgar os vivos e os mortos. O evangelho é o anúncio da gloriosa notícia de que este Deus está chamando os homens para acertarem as contas com ele antes da chegada deste dia.
Como os homens haverão de acertar suas contas antes do juízo vindouro? Como pagar pelos pecados passados? O que fazer quanto aos pecados que inevitavelmente virão? O evangelho proclama que os homens podem quitar suas dívidas mediante um ato de confissão. Esta confissão envolve o reconhecimento do pecado, a decisão de abandoná-lo mediante arrependimento e a confiança que todas as transgressões podem ser quitadas mediante a fé em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. O Rei veio na pessoa do seu Filho tratar dos rebeldes que se recusaram viver de acordo com sua vontade. E o seu Filho em vez de destruí-los decidiu dar sua vida por eles a fim de que a ira do Rei fosse aplacada e seus súditos rebeldes reconciliados pela fé por meio de um modo santo e justo.

2. O EVANGELHO É SUBLIME POR SE TRATAR DE PALAVRA DE DEUS. V. 14

Todos sabemos que houve homens na história que deram sua vida por uma ideologia. Na Grécia antiga homens se consagraram a obra de divulgação de sua filosofia. Sócrates, por exemplo, abriu mão da sua própria vida por causa do seu compromisso com a ética e a verdade. Mais recentemente testemunhamos do ardor com que marxistas defenderam suas idéias acerca do modo como as nações deveriam regular a relação do patrão com o empregado. Muitos já deram a vida por uma mentira sem saber que morriam por nada. Outros se consagraram ao ensino do que sabiam ser mentiroso.
O caso do apóstolo Paulo, e, consequentemente de todos os cristãos, difere dos demais devido a dois fatores: o primeiro, o conteúdo da mensagem que é proclamada. E, em segundo lugar, a origem dessa mesma mensagem.
Como vimos acima, pregar o evangelho não é tratar de trivialidades. É anunciar ao mundo a santidade, justiça e amor de Deus, e, ao mesmo tempo, ensinar ao homem a solução para o seu problema mais grave.
Pregar o evangelho, contudo, é glorioso por se tratar do anúncio da palavra de Deus. É isto o que o apóstolo Paulo menciona no verso catorze. Não significa a consagração da vida a uma ideologia humana. Isto pode até ser bom, caso a ideologia seja de grande proveito para todos por ser verdadeira. Pregar o evangelho, no entanto, é pregar o que é verdadeiro e atestado pelo selo divino como tal. Desse modo, o evangelho deve ser visto por todos nós como verdadeiro. Sua origem é divina. O que necessitamos de destacar, entretanto, é que o evangelho é uma verdade que foi autenticada de um modo todo especial por Deus. É palavra de Deus. É a verdade que Deus fez acima de todas as outras que fosse reconhecida como tal.
Como o evangelho foi autenticado? Muito se poderia falar sobre isso. Este é um tema que pertence ao ramo da apologética. Mas, permita-me mencionar pelo menos três fatos relacionados a pergunta supra. Primeiro, pelos sinais que acompanharam a pregação apostólica (Gl 3:5; II Co 12:12; Jo 20: 30-31). Os milagres tiveram como meta precípua atestar a origem divina da mensagem. Segundo, pela excelência do seu conteúdo. Sei que trata-se de uma argumento que só serve para o crente. O incrédulo é incapaz de perceber esta beleza. Está cego. Não tem senso espiritual. Mas, o crente é alguém que não consegue servir a outro Deus que não seja o do evangelho pelo simples fato desse Deus ser incomparavelmente o mais belo. E esta sua beleza é atestada pelo evangelho. Terceiro, o testemunho interno do Espírito Santo. Ninguém se converte sem razões, mas ninguém se converte pela razão. O cristianismo para quem está do lado de dentro é o que de mais racional existe, mas para quem está do lado de fora é absurdo. A própria Bíblia admite que as coisas são assim (I Co 2:14). O que impede um homem de se encantar com o evangelho? Para o cristianismo o homem sem Cristo apesar de ter um aparelho mental idêntico ao do crente, não se utiliza deste mesmo aparelho da forma como o crente o faz. O crente é alguém que recebeu este poderoso testemunho interno da verdade que o leva a nunca mais nega-la pelo desejo inconsciente de fugir do Deus real. Existem razões objetivas para o crente crer na veracidade do evangelho e que podem ser compartilhadas com os incrédulos. Existem, contudo, certezas incompartilháveis que somente os que foram convencidos pelo Espírito Santo podem testemunhar.
O apóstolo Paulo estava pronto para dar sua vida pelo evangelho devido ao fato de estar absolutamente convencido da origem divina da sua mensagem:
“... estimulados pelas minhas algemas, ousam falar com mais desassombro a palavra de Deus”.

3. O EVANGELHO É SUBLIME POR SE TRATAR DA REVELAÇÃO DA PESSOA DE CRISTO. VS. 15,18

Pregar o evangelho é pregar Cristo. Não há evangelho sem Cristo. E pregar sobre a pessoa bendita do Salvador é proclamar algo sublime.
Pregar Cristo é pregar sobre o indubitavelmente maior paradigma de vida santa. Se queremos viver a vida que Deus tenciona para todos os seres humanos, temos que olhar para Cristo. Primeiro, temos que olhar para o seu intenso amor pelo Pai. Neste mundo de gente que se interessa por tudo, menos pelo seu Criador, o Senhor Jesus se sobressai como aquele cuja comida consistia em fazer a vontade do Pai (Jo 4:34). Sua obsessão era fazer o Pai sorrir para sua vida. Segundo, temos que olhar para o seu intenso amor pelos seres humanos. Nele vemos o testemunho do amor paciente que vence a lerdeza humana em fazer a vontade de Deus. O amor misericordioso que toca nos intocáveis. O amor longânimo que suporta a ingratidão e afronta. E o amor gracioso que passar por cima dos pecados e ama o que não é digno.
Pregar Cristo é apresentar ao mundo a prova mais cabal de que Deus é bom. Há traços da bondade divina espalhado por todos os cantos desse planeta. Porém, frequentemente os homens se deixam convencer que o sofrimento humano dá um testemunho mais forte da indiferença divina do que os traços da sua bondade dão do seu amor. Para os homens há uma explicação para o sofrimento humano: Deus não se importa. Mas, para eles não há explicação para a felicidade humana. Há prazer e dor neste mundo em que vivemos. A nossa raça julga que é possível fazer uma avaliação do todo à partir da dor deixando as manifestações da bondade a cargo de um Deus esquizofrênico. O homem não atenta para o fato de que a beleza da vida deve sua explicação a existência de um Deus bom, e, o sofrimento humano a existência de um Deus santo que trata seres racionais e responsáveis de modo honesto e justo.
Cristo é o testemunho maior da bondade desse Deus para a vida de todo aquele que aceita o testemunho que a Bíblia dá sobre sua vida sem pecado. Nele temos o testemunho do “Deus conosco”. O amoroso “Emanuel”. A partir de sua vinda a raça humana deveria considerar não apenas o sofrimento dos filhos dos homens, mas o sofrimento do Filho de Deus. Esse é o novo enigma: por que o Filho de Deus teve que sofrer? O absurdo da morte do filho de Deus torna todos os demais não mais capazes de questionar o amor divino.
Cristo é a resposta de Deus para o problema do pecado. O evangelho é sublime por que harmoniza o amor e a justiça de Deus de modo insuperável. Em Cristo Deus perdoa o homem de modo justo. Seu amor pode ser derramado livremente na vida daqueles que tiveram seus pecados expiados pelo sacrifício do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Cristo, acima de tudo é a maior revelação que Deus fez de si mesmo. Se queremos conhecer a Deus precisamos vê-lo em ação na vida do seu único Filho. Esta é a maravilha das maravilhas, conhecer a Deus através de Cristo: “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”.
[3]
A pergunta que precisamos responder agora é a seguinte: o que deve ser capaz de fazer por esta mensagem aquele que nela creu?

II-O QUE DEVEMOS FAZER PELO EVANGELHO?

1. SENTIR REGOZIJO QUANDO A PROVIDÊNCIA USAR NOSSO SOFRIMENTO PARA O PROGRESSO DO EVANGELHO. V. 12

O apóstolo Paulo não conseguia ver sua vida dissociada do evangelho. Sua existência como um todo era vista em termos do evangelho. Sendo assim, em sua opinião o cuidado providencial de Deus pela sua vida estava conectado aos propósitos desse mesmo Deus de se utilizar da vida de um ser humano a fim de tornar o seu evangelho conhecido.
É digno de nota observar que tudo isto se ajusta perfeitamente ao conteúdo sublime do evangelho. Sendo o evangelho o que é, representando o que representa, não é imoral Deus de acordo com seus decretos eternos permitir que um ser humano passe por tribulações a fim de que a causa do seu evangelho prospere.
Para o apóstolo Paulo não havia nada de anormal no seu aprisionamento. Ele não via Deus como comprometido acima de tudo com sua felicidade temporal, mas com o testemunho do evangelho através de sua vida.
Martyn Lloyd-Jones:
Paulo não resmunga e se queixa, não apenas porque sua atitude para com Deus era correta, mas também porque sua atitude para consigo mesmo era correta... ele não pensava de si mesmo apenas como si mesmo, ele não estava interessado em si mesmo como tal... o segredo de Paulo foi que ele amava a Cristo numa extensão que ele havia esquecido de si mesmo completamente. Paulo não prisão não dizia, ‘por que isto aconteceu comigo?’ Ele dizia, ‘como isto afeta o evangelho?’
Aplicação: Glorifique a Deus por ele estar usando seus sofrimentos para o progresso do evangelho.

2. APROVEITAR AS CIRCUNSTÂNCIAS DA VIDA, ESPECIALMENTE AS MAIS ADVERSAS, PARA DAR TESTEMUNHO DO EVANGELHO. V. 13

Ele se via como um encarcerado de Cristo. Isto fez toda a diferença para ele naquela prisão. Ele não estava ali por mero acaso. Estava ali por causa dos planos santos, eternos e sábios de Deus. Ele era um prisioneiro de Cristo.
William Hendriksen: “Quando o apóstolo foi a Roma como preso, foi o evangelho que realmente entrou na cidade imperial”.
E por definir sua vida a partir da sua relação com Cristo, e, não por qualquer outra coisa, tais como afirmação pessoal, conforto, fama entre outras coisas mais, julgava que na prisão sua tarefa não era pensar na liberdade, mas em como testemunhar do evangelho.
William Hendriksen: “A pergunta primordial que ele fazia a si mesmo não era: ‘O que sucederá a mim?’ senão: ‘Em que medida se vê afetada a causa do evangelho pelo que a mim me ocorre?”
E foi o que ele fez. Sua presença naquela prisão foi usada por Deus para que muitos conhecessem o evangelho de Cristo. E, assim, entendemos o porquê da tribulação. A tribulação cria o cenário perfeito para a pregação do evangelho. É da natureza humana acreditar na mensagem daquele que vive o que prega, especialmente quando a fé professada se mantém altaneira na adversidade.
William Hendriksen:
Os guardas revezavam uns com os outros, e desta forma muitos deles entraram em contato com o apóstolo dos gentios... e o que aprenderam logo se divulgou... somos guardas de um preso extraordinário... e, desta forma a notícia correu de guarda a guarda, a suas famílias, e a casa de César, e assim ‘a todos os demais’, ou seja, aos habitantes de Roma em geral”.
Aplicação: Aproveite as circunstâncias adversas que você tem enfrentado a fim de promover o avanço do evangelho mediante o seu bom testemunho na dor.

3. VIVER DE MODO A SERVIR DE ESTÍMULO PARA OS IRMÃOS EM CRISTO CRESCEREM NO COMPROMISSO COM A DIVULGAÇÃO DO EVANGELHO. V.14

O seu testemunho tornou-se num poderoso estímulo para que os demais crentes da cidade de Roma pregassem o evangelho. Quando eles viram o preço que o grande santo de Deus estava pagando por causa do seu amor pelo evangelho, julgaram que não lhes restava alternativa senão manifestar o mesmo nível de compromisso.
Eles se tornaram ousados e passaram a falar com mais desassombro (afobos). Não resta dúvida que deveríamos todos nós viver assim. Nossa vida deveria causar constrangimento em todos os companheiros de fé. Ser um grande estímulo para que homens e mulheres se envolvessem com o evangelho.
Tudo se tornou claro para o apóstolo Paulo. Seu sofrimento estava trazendo benéficos para muitos. Ele se alegrava por estar caminhando nos passos do seu Senhor. Com Cristo ele aprendera que é necessário que pessoas morram a fim de que outras ganhem vida.
Aplicação: pastores que largam família deveriam se lembrar do efeito desta decisão na vida dos irmãos na fé. Outros, que trocam o ministério pela política deveriam levar isto em consideração também. Igrejas que deixam de pregar o evangelho a fim de crescerem numericamente fazem com que seus membros não levem o evangelho a sério.
Aplicação: que o seu testemunho seja um estímulo para seus irmãos na fé consagrarem-se desempedidamente ao progresso do evangelho.

4. ENVOLVER-SE COM O EVANGELHO PELO EVANGELHO SOMENTE. VS. 15-18.

Aqui o apóstolo Paulo traça um vivo contraste entre os que pregam o evangelho por amor ao evangelho e os que pregam o evangelho por amor a si mesmos. As diferenças principais são as seguintes:
- Pregar o evangelho por motivos escusos e pregar o evangelho de boa vontade (v.15).
- Pregar o evangelho para auto-afirmação e pregar o evangelho por amor (v. 16-17).
- Pregar o evangelho por pretexto (simulação) e pregar o evangelho por verdade (v.18).
Parece que o apóstolo Paulo estava vivendo a seguinte experiência. Alguns pregadores entraram numa competição na qual ele se recusou a participar. A intenção desses homens era a de granjearem fama e de alguma forma mostrarem ao apóstolo Paulo que tinham um desempenho melhor do que o dele. Ele podia perceber com muita clareza que aqueles homens não eram movidos pelos mesmos sentimentos que habitavam no seu coração.
William Hendriksen:
Não se deve esquecer que em Roma havia uma igreja muito antes da chegada de Paulo. E, portanto, quase sem lugar a dúvidas, é lógico pensar que certos pregadores haviam adquirido certa fama entre os irmãos. É fácil imaginar que, com a chegada de Paulo e especialmente com a divulgação de sua fama por toda a cidade, estes conhecidos pregadores começaram a perder algo de seu reconhecido prestígio. Não passou muito tempo sem que seus nomes fossem empalidecendo, e que em conseqüência fosse despertada neles a inveja pelo apóstolo Paulo”.

Para o apóstolo Paulo, entretanto, desde que eles estivessem pregando o evangelho, seu coração se regozijava, mesmo que compreendesse que alguns daqueles homens o invejavam a faziam o que faziam por má intenção.
Não encontramos aqui nenhuma espécie de espírito ecumênico. Não há vestígio de negociação da verdade. Ele não está falando que se regozijava com o fato de pessoas estarem distorcendo o evangelho. Sua alegria consistia no fato de ele perceber que Deus estava usando aqueles homens insinceros para a promoção do seu evangelho. Era tudo o que o apóstolo Paulo queria.
Há homens que adoecem por verem outros alcançarem mais fama e pessoas do que eles no trabalho de pregação do evangelho. O grande apóstolo não via seu envolvimento com o evangelho como uma oportunidade de adquirir fama e poder, mas de servir ao seu semelhante e expandir o reino de Deus.
Neste ponto da sua carta nos deparamos com um testemunho maravilhoso sobre o espírito com que o evangelho deve ser pregado.
- O evangelho deve ser pregado com desassombro (v.14).
- O evangelho deve ser pregado com boa vontade (v.15).
- O evangelho deve ser pregado por amor (v.16).
- O evangelho deve ser pregado por apreço a verdade (v.18).
Aqui está o teste para sabermos se de fato amamos o evangelho: sempre nos regozijamos quando ele é proclamado?
Aplicação: pastor não pode adoecer porque a igreja de um outro pregador cresce mais do que a sua. Que todo movimento de sua vida no sentido de promover o evangelho seja fruto do seu zelo pela verdade, amor pelos perdidos e anelo de ver o nome do seu Deus glorificado.

5. DEFENDER O EVANGELHO. V. 16

O apóstolo Paulo revela no verso dezesseis que parte do seu trabalho de pregação do evangelho envolvia a defesa da mensagem. Havia, sendo assim, uma forma positiva de apresentá-lo, mas ao mesmo tempo uma forma que poderíamos considerar positiva e negativa. Ele deveria fazer afirmações positivas do evangelho. Proclamar o seu conteúdo. Percebemos, porém, que ele entendia que a ele cabia defender o evangelho dos ataques desferidos pelos falsos mestres e pelos incrédulos.
D. A. Carson:
O que há na fé cristã que excita você? O que consome o seu tempo? O que o desperta? Hoje existem uma infinidade de subgrupos de cristãos confessos que investem enorme quantidade de tempo e energia em um tema ou outro: aborto, pornografia, escola, ordenação feminina (contra ou a favor), justiça econômica, um certo estilo de culto, a defesa de uma particular versão da Bíblia, e muito mais. A lista varia de país para país, não são poucos os países uma agenda completa urgente, de demandas periféricas. Nem por um momento eu estou sugerindo que nós não deveríamos pensar sobre estas matérias... mas quando tais matérias devoram a maior parte do nosso tempo e paixão, cada um de nós deve responder: De que modo eu estou confessando a centralidade do evangelho?

Martyn Lloyd-Jones: “Parece que a idéia original foi a de um homem se defendendo numa ação legal. Alguém traz alguma acusação contra ele e o homem faz sua defesa e responde ao juiz”.
A igreja sempre haverá de carecer deste tipo de ministério. Respostas honestas devem ser dadas às perguntas honestas que nos são feitas. Quem ama o evangelho haverá de manifestar interesse por um preparo intelectual adequado a fim de que seu conteúdo faça sentido para os que ouvem sua mensagem.
Martyn Lloyd-Jones:
Quando os homens atacam o evangelho nestes vários motivos, nós deveríamos ser capazes de enfrentar suas objeções e dar nossa resposta. Isto significa atividade de nossa parte, isto significa estudar e familiarizarmo-nos com os fatos. Eu não acho em nenhum lugar do Novo Testamento uma figura da igreja como corpo de pessoas que passam o todo do seu tempo cantando ou apenas relatando suas experiências e tendo um assim chamado bom tempo espiritualmente. De modo algum! Eles são chamados para a defesa do evangelho; o ataque esta aí e nós devemos dizer alguma coisa como resposta”.

Aplicação: Carecemos de pessoas que se dediquem a tarefa apologética.

III-CONCLUSÃO

Que privilégio conhecer o evangelho! Mas, que responsabilidade! Conhecemos o seu conteúdo. Sabemos que revelação faz do caráter de Deus. E, de igual modo, temos um claro entendimento do quanto o pecador carece de conhecê-lo. Como haveremos de viver, nós que tivemos contato com sua verdade?
Certamente a resposta que resume a todas que foram dadas por esta passagem é a seguinte: um compromisso com o progresso do evangelho que seja digno da sua sublimidade. O valor incalculável do evangelho merece a consagração de toda a nossa existência para o seu progresso.


©ANTONIO CARLOS COSTA
IGREJA PRESBITERIANA DA BARRA
ABRIL/2006

[1] Atos 20:24
[2] II Co 5:19
[3] Cl 1:15

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