sábado, 9 de junho de 2007

A PAZ QUE ADVÉM ATRAVÉS DA ORAÇÃO


FILIPENSES 4: 6-9

INTRODUÇÃO
Conforme havia afirmado anteriormente, esta passagem tem como objetivo ajudar o cristão a viver uma vida do ponto de vista psicológico saudável. Nos versos antecedentes, o apóstolo Paulo falou sobre relacionamentos interpessoais harmoniosos (vs. 2-3), estimulou a todos a buscarem a alegria que está em Cristo (v. 4), e, por fim, exortou à igreja a viver com moderação (v. 5).
Nestes versos que vamos examinar, o apóstolo Paulo passa a falar sobre o tema, paz. O apóstolo Paulo não fala propriamente sobre a paz que devemos buscar em nossas relações humanas. Ele não fala também sobre a paz com Deus, que vem a ser o término da inimizade com o Criador. Seu objetivo é falar sobre a paz com nós mesmos. O que isto significa?
Se a paz com o próximo significa a ausência de contenda com o nosso semelhante, se a paz com Deus significa a ausência de contenda com Deus, a paz com nós mesmos significa a ausência de contenda com a nossa mente e coração. Todos nós podemos passar por este tipo de coisa. Aparentemente a idéia é contraditória, pois uma guerra com a nossa mente seria um conflito da razão com ela mesma. Como uma coisa pode estar em conflito com ela mesma? Em geral, sabemos de conflitos entre seres diferentes. Isto ocorre quando interesses diferentes lutam entre si. Um quer uma coisa, o outro também, e, como nenhum quer ceder, a guerra se estabelece.
O apóstolo Paulo apresenta nesta passagem este conflito entre as demandas da razão e as demandas do coração humano. Como tal coisa pode se dar? Observe que ele fala sobre a paz. Ele não precisa convencer a ninguém que a paz é um bem desejável. O apóstolo Paulo trata tão-somente de mostrar o caminho da sua obtenção. Contudo, há algo externo. Uma ameaça a algum bem do ser humano. Sendo assim, o ego que tanto deseja a paz, não consegue encontrá-la, porque do outro lado está a razão e o coração fazendo suas exigências. Eles cobram do homem que este jamais procure repouso sem antes haver recebido o aval da mente. Em suma, um lado do homem quer a paz. Porém, a constituição humana não permite que os seres humanos descansem sem que haja um lugar de repouso para a alma que tenha a aprovação da razão.
A questão que esta passagem procura tratar é justamente esta: como o homem pode ter paz? A resposta inicial que o apóstolo Paulo dá é que é possível este conflito interno do ser humano cessar e a harmonia interior se estabelecer num nível absolutamente maravilhoso para a alma humana.
O que é necessário para que o crente tenha paz?
1. ENTENDER A EXTENSÃO DA FORÇA PRESENTE DA ANSIEDADE.
A ansiedade trata-se de algo tão presente na vida humana, capaz de fazer tamanhos estragos e uma presença tão poderosa que, só Deus para dar conta dela. Senão vejamos:
- Trata-se de algo que pode caracterizar o nosso modo de viver. Ela pode se transformar em estilo de vida.
- Trata-se de algo que tem parte de sua força extraída da capacidade humana de divisar os males que nos cercam.
- Trata-se de algo que tem parte de sua força extraída da capacidade humana de divisar sua incapacidade de sozinha fazer frente aos males que nos cercam.
Aqui nos deparamos com um mal terrível que, adoece o coração, causa colapso no raciocínio e conduz o homem a uma vida miserável. Se queremos vencer esse gigante da alma, teremos que procurar o remédio correto. Falando de uma forma negativa, se queremos ficar livres deste mal da alma, teremos que evitar qualquer espécie de solução barata.
Não basta usarmos o senso comum. Não basta dizermos: “viver ansioso não muda as coisas”. A psicologia também é incapaz de trazer solução para este mal. Ela pode até ajudar o ser humano a entender a causa da sua ansiedade, mas jamais oferecer solução. Por quê? Porque a razão será se levantará com um “mas, isto pode acontecer”.

2. ENTENDER QUE É POSSÍVEL PELA FÉ TER PAZ.
Este é um ponto que merece destaque. Esta passagem diz que é possível ter paz. Embora ela não ensine que seja possível viver sem problemas, ela afirma que é possível a alma encontrar repouso.
Esta é uma das promessas do cristianismo. A Bíblia foi escrita para que o homem alcançasse a paz. O Senhor Jesus veio para que tivéssemos paz.
As Escrituras estão repletas de testemunhos de pessoas que encontraram a paz. Poderíamos mencionar os exemplos de Abraão, Moisés, Josué, Davi, Pedro, Paulo, entre tantos outros personagens bíblicos que, encontraram paz a despeito das circunstâncias da vida.
É uma premissa evidente, uma exigência da razão, que vivamos num universo onde o ser humano possa encontrar paz. Seria impensável que o Deus santo, sábio e poderoso, houvesse criado o homem para o eterno suplício, ou, que o deixasse entregue ao acaso cego, tendo que viver num universo que conseguiu escapar ao controle divino. Tudo o que foi criado veio à existência para a glória de Deus. Deus é glorificado na participação dos seres humanos no seu estado de eterna felicidade.

3. ENTENDER QUE NÃO É DA VONTADE DE DEUS QUE SEU POVO VIVA ANSIOSO.
Não podemos nos esquecer que esta passagem não significa uma sugestão, um conselho, uma recomendação, mas um mandamento. É interessante observar este ponto. A ansiedade é considerada nesta passagem como um sentimento pecaminoso.
A Bíblia considera o ser humano como alguém obrigado a crer em certas verdades. Devido ao fato de Deus ser quem ele é o homem deve obrigatoriamente chegar a certas conclusões com referência a Deus, à vida, ao homem e ao universo. Toda a ansiedade excessiva representa uma dúvida quanto ao caráter de Deus. Por isso o crente não deve viver absorto em seus temores. O mesmo raciocínio é aplicado quanto à necessidade do ser humano crer no evangelho. A Bíblia tem como pecado a descrença na mensagem do evangelho. Quem não crê no evangelho já está julgado. Isto por que a verdade do evangelho é auto-evidente. A mente não-condicionada pelo pecado é levada a crer na Palavra de Deus (Jo 3: 16-21)

4. APRESENTAR A DEUS ATRAVÉS DA ORAÇÃO A PREOCUPAÇÃO DA ALMA.
O apóstolo Paulo não apenas afirma a possibilidade da paz. Nesta passagem extraordinária, tão reveladora da forma bíblica de lidarmos com os nossos problemas psicológicos, o autor inspirado mostra o caminho real da obtenção da paz. Aqui somos remetidos ao glorioso tema da oração.
O cristão é alguém que ora. Ele sabe que há um Deus infinito-pessoal capaz, portanto, de ouvir sua oração. Por Deus ser quem ele é a oração para o cristianismo é um exercício profundamente racional. Uma nova realidade é apresentada àquele que se converteu ao cristianismo. Uma é a realidade do mundo com todo medo que ele pode gerar no coração do homem. A outra realidade é a do Deus de amor em quem o cristão foi levado a confiar.
O cristão pode tornar conhecidas diante do Deus onisciente suas petições. A oração muito embora não mude a Deus, muda o homem. Deus pede para que o homem ore. Na oração o ser humano aproxima-se daquele cujo maior prazer é glorificar o seu nome na felicidade do seu povo. Deus é apresentado como aquele que dispõe as coisas do universo de uma tal maneira que o homem é levado na sua fragilidade e dependência do seu Criador a procurá-lo sempre.
Muitos, no entanto, parecem orar sem tirar proveito algum do momento de súplica. Levantam-se da oração iguais ao momento em que começaram a orar. Isto porque, orar não é apenas falar com Deus.
Como orar?
- Começando com oração de adoração. Observe que em primeiro lugar o apóstolo Paulo fala sobre algo mais geral. Ele começa por falar sobre oração. Isto envolve o todo da relação mediante comunicação do homem com o seu Criador. Aqui entra o elemento da adoração. O reconhecimento de que aquele em cuja presença o que ora está é absolutamente amável e cheio de glória.
- Compreendendo quem é aquele diante de cuja presença estamos quando oramos. O apóstolo Paulo menciona o nome de Deus. Orar é estar deliberadamente diante de Deus. Sendo assim, a oração começa sempre com meditação. Não que seja um elemento indispensável para que o que faz sua súplica seja ouvido. A Bíblia nos apresenta orações imperfeitas sendo ouvidas por Deus. Mas, é indubitável que quem medita antes de orar, ora melhor. Antes de orar, o crente deve começar com Deus e sua glória, e, jamais com seus problemas. Quando o crente começa com Deus, dá a ele a honra que lhe é devida e prepara seu espírito para o momento da súplica. Seus problemas são vistos sob a perspectiva correta. São tratados à luz do poder de um ser apaixonado pelo seu povo.
- Apresentando a petição da alma. Em seguida, somos convidados por Deus a apresentar a Ele tudo o que nos aflige. Ele fala de “petições”. Ou seja, pedidos de naturezas diferentes, pois muitas são as necessidades humanas. Observe que o texto fala sobre “fazer conhecidas as petições”. Não fala sobre exigir, ou determinar o que Deus deverá fazer. Trata-se de tão-somente colocar diante de Deus o motivo da preocupação. Isto envolve, qualquer tipo de coisa, pois Deus no seu amor cuida dos pequenos detalhes da vida dos seus amados e no seu poder dos seus grandes problemas.
- Harmonizando oração de petição com oração de ações de graça. A oração de petição deve vir acompanhada de ações de graça. Por quê? Porque esta é a atitude apropriada por parte daquele que ora. É fundamental que aquele que se aproxima de Deus “creia que ele existe e que se torna galardoador daqueles que o buscam” (Hb 11: 6). Veja que orar não é apresentado como um salto no escuro. A verdadeira oração é vista como a comunhão com um ser real em cuja bondade o crente alicerça toda sua esperança de ser ouvido. A oração com ações de graça além de ser a afirmação racional da bondade de Deus, significa o reconhecimento das bênçãos passadas que foram recebidas, a gratidão pelas misericórdias do presente e o louvor pela graça que será concedida no futuro. Significa a assunção de que a resposta ao pedido é certa e representará o melhor para a vida do crente.
5. AGUARDAR O RECEBIMENTO DA PROTEÇÃO DA PAZ.
O apóstolo Paulo revela no verso 7 o resultado deste exercício espiritual. A paz de Deus haverá de guardar o coração e a mente daquele que buscou a Deus em oração. Cabe ao crente, portanto, esperar pelo recebimento da promessa. Mas, que espécie de promessa? Note que o apóstolo Paulo não está falando sobre o problema resolvido ou a oração ouvida. O que ele diz é que esta espécie de oração, muito embora não tenha a garantia de alterar as circunstâncias, tem a garantia de alterar o que ora.
Vale a pena considerar antes de tudo a natureza desta paz. Ela é chamada de a paz de Deus. Existe paz de outra natureza, capaz de produzir certos efeitos. Mas, esta paz é chamada de a paz de Deus. É a paz que Deus concede. Perfeitamente adaptável à alma humana. Por ser de Deus, é perfeita.
Esta paz “excede todo entendimento”. O que isto significa? Isto certamente significa duas coisas: a primeira, é que trata-se de uma paz que satisfaz a razão. Responde a todas as indagações da alma. Poderosa para afugentar racionalmente todos os temores. É algo de fato inesgotável. Em segundo lugar, é a paz que o próprio Deus dá de modo sobrenatural. Algo muitas vezes incompreensível. Um estado de alma que se estabelece quando não há uma razão aparente de ser.
Em seguida o verso 7 afirma que esta paz atuará como um soldado. Ela “guardará os corações e as mentes”. Exercerá proteção sobre as razões da mente e do coração. As vidas mental e emocional estarão guardadas. O que significa que os problemas podem não cessar e que os maus pensamentos virão. Mas, esta paz não permitirá que nenhuma preocupação se aloje definitivamente.
O texto termina com o apóstolo Paulo mencionando o nome de “Cristo Jesus”. É uma proteção que está relacionada à presença de Cristo com as promessas que seu evangelho faz a todos os que se arrependem e crêem. Esta é uma característica essencial do cristianismo. A fé cristã desconhece relação com Deus sem Cristo. E, de igual modo, o recebimento de qualquer promessa sem que Cristo seja o amém.
CONCLUSÃO
É possível ter paz nesta vida dura, curta e incerta que vivemos. O cristianismo promete graça para o crente e mostra o caminho da vitória sobre o gigante da alma chamado ansiedade, que pela oração alicerçada na Palavra de Deus será derrubado, tal como Davi derrubou Golias com uma única pedra.






©Antônio Carlos Costa
Igreja Presbiteriana da Barra/RJ
Junho-2007

Um comentário:

Jonathan disse...

Muito interessante e intrigante este texto. Fez-me refletir e através da leitura veio a palavra ADVESMA que gostaria de saber se vocë pode me responder o que significa.